A GRIPEZINHA E OS MARAVILHOSOS FILMES LIXO - Volume 0
VOLUME 0 - DIVERSÃO É SOLUÇÃO, SIM
Em tempos de ‘gripezinha’
e de insanidade pra todo lado, o riso é resistência cívica.
Tristeza atrai tristeza
na razão direta de suas massas e na razão inversa da distância que as separa. Esta
é a Lei da Tristeza Gravitacional, sistema filosófico destinado a arruinar
todos os demais sistemas, como escreveria Machado de Assis, morto antes da ‘gripezinha’
espanhola, se naquele momento estivesse pensando na tristeza e não no
humanitismo, doutrina do falecido Quincas Borba, que deixou o cão, também Quincas Borba, para Rubião.
Se rir deixa a pessoa mais
disposta e criativa, o excesso de notícias tristes a derruba. Machado de Assis
ou Nietzsche, um dos dois, disse que “se você olhar longamente
para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”. Machado de Assis, Nietzsche ou Oscar Wilde disse “todos
estamos na lama, mas alguns de nós prefere olhar para as estrelas”, aforismo que não fala de alienação, obviamente.
Aonde lanço meu olhar é uma opção minha, não a terceirizo.
Os nazistas, que parece que estão voltando à moda por aqui, gostavam quando o povo da cidade que ocupavam olhava para baixo: era mais fácil dominá-lo.
“Eu não tô aqui pra
sofrer, bye bye tristeza”, já cantou Machado de Assis, Nietzsche, Oscar Wilde ou Sandra de Sá, um
deles. Enfim, foi pensando em melhorar meu ânimo, que precisava de uma pilha, que decidi
redirecionar meu olhar e dividi essa resolução em 3 ações básicas:
1. Buscar menos notícias e só em veículos consolidados e ‘ambidestros’,
além de guardar certa distância de ideologias, quaisquer que sejam. Nietzsche disse “Ideologia, eu
quero uma pra viver”. Ou ele, ou Machado de Assis, Oscar Wilde, Sandra de
Sá, talvez o Cazuza, vai saber... Eles viviam grudados.
2. Não ter opinião formada sobre tudo (não vou citar ninguém agora, pra
agilizar) – se cientistas não têm, por que o ignorante aqui teria? Opinião formada,
só no inegociável aos cidadãos de bem (ainda arrisco me incluir entre eles –
inclusive porque sou meio louco, e segundo a nação Sioux, loucos são do bem),
ou seja: não ao fascismo, não ao racismo, não à homofobia, não ao obscurantismo
e, definitivamente, não à música sertaneja – a atual, claro.
3. Abrir mais espaço diário, em horas, para diversão.
Bora se divertir, porraaaa!
Isso
é escapismo? Claro! Escapismo explícito. E daí? Pergunta ao Papillon, ao Clint
e ao Jack trancado anos no quarto com a mãe se escapismo não é bom. Essa ‘fuga
do escapismo’ (gostou dessa, ein?) já me fez perder muita coisa na vida, tipo:
– não transar, na minha época 'áurea', com umas gostosinhas que tinham
‘cabeça meio lixo’ (seria só sexo, blargh);
– não ver, à época do lançamento, Curtindo a Vida Adoidado,
filme de adolescente, logo, ‘lixo’ (só vi depois dos 40);
– não ouvir Ultraje a Rigor (olha eles aí ao lado nos anos 80), que era uma bandinha de rock nacional que fazia um rock divertido, logo, era 'lixo'. Só que seu primeiro disco é um dos melhores discos de rock já feitos no Brasil.
Mais recentemente, fiz merdas congêneres: por muitos e muitos anos, não vi Se
Beber Não Case (comédia de primeira!) porque não ia perder tempo com uns
imbecis bêbados fazendo merda (fazer merda é monopólio meu!) e execrei, sem
ver, claro, os filmes daquele ator histriônico travestido de mãe. Aí vi o
terceiro e, tchan tchan tchan tchan... adorei. É ruim? É. Parece ter sido dirigido por alunos bregas de
ensino médio? Parece. Não passa de uma câmera atrás de uma mãe que não para de falar? Isso mesmo. É bom de ver? Ótimo! O Paulo
Gustavo é uma metralhadora de piadas aleatórias, mas é engraçado e tem carisma. Ri muito e fiquei mais leve. E que se dane se é ou não cinema,
se é ou não um lixo (é sim!) e nem se eu vou ser expulso da ACMCE – Associação
dos Cinéfilos Muito Cultos e Exigentes por ter adorado a experiência.
Como está provado, fiz muita merda, mas tenho aprendido (minha filha ajuda muito e me recomendou ótimos filmes ‘lixo’). Em tempos de ‘gripezinha’, em que venho mergulhando
a casa em álcool gel, pingando água sanitária nos olhos e injetando lysoform na
veia, meu nariz ficou mais sensível e dá o sinal assim que começo a fazer merda e me afundar.
Aí corro aplicar a solução do Cazuza: “Diversão é solução, sim!”. Ou
seria do Machado? Nietzsche, Oscar Wilde, Sandra de Sá ou Raul? Vai ver, é dos
Titãs mesmo.
Foi assim que me
entreguei ao luxo de ver filmes ‘lixo’, principalmente comédias!
Ah, antes de acabar, só pra deixar claro
o que aqui chamo de filme ‘lixo’: aquele que eu não via
por ser de um gênero menor do que minha capacidade intelectual pode alcançar: comédias de adolescentes (Clube dos Cinco, cena aí ao lado, não é comédia coisa nenhuma, mas um sensível e contundente estudo sobre o crescimento, uma obra prima do John Hughes), filmes escapistas em geral, aventuras inverossímeis com atores
fortões e comédias tolas. Assim, um filme de adolescente é ‘lixo’ não por
ser um péssimo filme de adolescente, mas por ser um filme de adolescente. Comédias
escrachadas são todas ‘lixo’; boas, só as ‘inteligentes’ (as capazes de desafiar minha
mente reconhecidamente privilegiada). Também são ‘lixo’ filmes sem mensagem
edificante, planos oblíquos ou interpretação densa de ator sério e profundo.
Entre os filmes ‘lixo’ estão, portanto, ótimos filmes de entretenimento desprezados
por mim e muitas vezes até pela crítica (que, é bom lembrar, desprezou Hitchcock
por fazer cinema de entretenimento).
Então, se você anda meio
pra baixo, gostou da ideia dos filmes ‘lixo’, mas não sabe qual ver, nas
próximas 3 postagens vou dar dicas de dois bons filmes 'lixo' em cada. Na primeira, duas comédias
de família. Depois, aventuras inverossímeis com fortões e, na terceira, comédias
sobre adolescentes. Bora lá tirar o pó da alma?
Como disseram inúmeras
vezes Cazuza, Machado de Assis, Nietzsche, Oscar Wilde, Sandra de Sá, Raul, os
Titãs e eu, “até logo”.




Comentários
Postar um comentário